AutorDenis Gomes Franco

Mulheres, cuidado com o golpe

Quem aqui não conhece a famosa “pirâmide financeira”, não é? Pois agora existe uma nova modalidade que busca dar o golpe em mulheres. Vi no Universa do UOL:

https://universa.uol.com.br/noticias/redacao/2019/07/19/golpe-da-mandala-da-prosperidade-discurso-e-semelhante-a-de-seitas.htm

Lojistas tupãenses com dificuldade em competir

Recentemente o portal Mais Tupã divulgou uma matéria apresentando as preocupações dos lojistas tupãenses frente a realização da popular Feirinha do Brás, onde lojistas da região metropolitana de São Paulo vêm às cidades para comercializar seus produtos, feira esta que foi realizada recentemente em Tupã.

Fiquei consternado com os argumentos apresentados e por isso, na condição tanto de consumidor quanto de microempreendedor na cidade de Tupã/SP (tenho uma pequena gráfica rápida e uma pequena agência web) quero apresentar alguns contrapontos e explorar algumas possíveis soluções, afinal um bom empresário sabe que tem de competir para se destacar e manter o seu negócio vivo pois os consumidores sempre buscam e sempre buscarão o melhor para si não importa aonde. Um bom empresário também dá boas vindas à concorrência, pois é ela que impulsiona a inovação, a eficiência e o surgimento de novos produtos e serviços.

A realização de outro bazar para comercialização de produtos geralmente contrafeitos ou pirateados, conhecida como “Feira do Brás”, provocou indignação entre os comerciantes da cidade.

Parece que esses comerciantes não se deram conta de que não estão competindo somente com a Feira do Brás, mas também com o comércio eletrônico em geral e com os comércios de cidades vizinhas. Porque então só atacar a “Feira do Brás”? E claro, muitos dos comerciantes de Tupã vão justamente ao Brás para buscar produtos para comercializar aqui.

Se os produtos são contrafeitos ou piratas, cabe à Receita Federal fiscalizar isso. Mas no fim das contas os consumidores é quem irão decidir se compram um produto original ou não. Talvez um consumidor prefira, ou queira, adquirir um produto genérico mesmo sabendo disso.

O que não pode ocorrer é a tentativa de enganar o consumidor – como por exemplo em muitos lugares fazem, não só em Tupã: vender caixinhas de som com a marca JBL sem que de fato sejam.

Além de trazer prejuízos ao comércio, os produtos vendidos nestas feiras não têm nenhuma garantia e, portanto, lesam também os consumidores.

Antes de alegar que os produtos dos concorrentes não têm garantia os lojistas devem revisar suas próprias políticas. Não é difícil achar pelo menos 5 lojas na cidade que vendem produtos sem qualquer tipo de garantia, considerando que o mínimo exigido pelo CDC é de 3 meses para produtos duráveis.

Se você quer se destacar na multidão, vá além daquilo que é exigido. Faça mais do que os seus concorrentes, e não apenas o “arroz com feijão”. Por exemplo: existem lojas de roupas que oferecem garantia de satisfação de 30 dias sem perguntas. Quem você acha que vende mais? Esta, ou alguma que só troca a peça se for por defeito (e olhe lá)?

Eles utilizaram as redes sociais para comunicar a população sobre a realização da feira e evitaram fazer maior alarde sobre isso, talvez porque entendessem que não estavam cumprindo totalmente a lei.

Não. Eles fizeram isso porque as redes sociais são a melhor forma de propaganda no momento. Muitos dos meus clientes relatam bons resultados anunciando no Facebook, no Google e no Instagram, com custo menor e muito mais eficiência do que anúncios em jornais e rádios da cidade.

Internet é a mídia do momento e não há volta. Qualquer empresa que não investe pelo menos em anúncios na internet, nas redes sociais, onde quer que for, está por fora e está perdendo potenciais clientes. Claro que a concorrência na internet é muito maior e o comércio eletrônico encurta as distâncias, mas… faz parte do jogo.

Anunciar na internet não é tão caro nem tão difícil quanto possa parecer. E vender online? É muito fácil ter uma loja virtual. Acho estranho os lojistas tupãenses não focarem mais nas vendas online, nem que seja somente para atender às cidades da região (embora com uma loja virtual atenda-se a todo o Brasil).

na luta contra este tipo de iniciativa, que é extremamente prejudicial à economia da cidade

Em outras palavras, “vamos acabar com a liberdade de escolha do consumidor”.

O que é prejudicial à economia da cidade é um comerciante vender um produto 200%, 300% ou mais, mais caro do que em lojas de cidades vizinhas ou lojas online. Em geral, quanto mais caro um produto, menos ele vende. A concorrência existe justamente para promover a eficiência e a redução de custos – e claro, fazer girar a economia.

Da mesma forma, os lojistas de Tupã também poderiam se unir e fazer suas próprias feiras aqui na região – e porquê não? Se os lojistas do Brás conseguiram andar 600 km para realizar este evento, tenho certeza que os lojistas de Tupã conseguiriam andar alguns poucos quilômetros para vender seus produtos nas cidades menores da região como Iacri, Bastos, Herculândia, Quintana, talvez até Pompeia ou quem sabe Marília.

O que está acontecendo aqui é bem simples: empresários indo atrás de consumidores. Tupã também pode seguir este exemplo. Basta alguém liderar isso.

publicaram nota de repúdio no jornal Diário. Intitulado “Quem nos socorrerá”, o texto faz uma crítica profunda à realização do evento

“Quem nos socorrerá” chega a ser engraçado. A principal fonte de renda das empresas é a comercialização de produtos e serviços diretamente aos consumidores, e nenhum consumidor tem obrigação de salvar nenhuma empresa.

Se você quer que sua empresa sobreviva e lucre, invista em atendimento melhor e mais eficiente, busque novidades tanto em produtos quanto na forma de operar, ouça seu consumidor e ofereça aquilo que ele quer comprar, enfim… Quantas vezes eu deixei de comprar algo na cidade porque ninguém tinha ou porque era sob encomenda e teria de esperar 3 dias?

Aliás, esse é um pensamento que sempre tenho comigo. Você não deve se preocupar tanto com os clientes que compram de você. Você deve se preocupar mais com os clientes que deixam de comprar com você. As necessidades desses consumidores não estão sendo atendidas, ou por você ou por outras empresas da cidade – olha a oportunidade aí. É na oportunidade que se cresce e tem lucro.

quanto se arrecadou em impostos?

Se os lojistas da Feirinha do Brás não emitiram cupom fiscal ou nota fiscal eles estão errados. Mas não creio que seriam tão burros a ponto de realizar um evento tão grande sem observar a legislação estadual e municipal.

Quanto a isto, basta os consumidores pedirem nota fiscal. Tanto dos lojistas das feirinhas, quanto dos comerciantes da cidade.

A indignação da Acit e do Sincomércio é perfeitamente compreensível

A associação tem direito à opinião dela e a de defender aquilo que ela acha certo.

Mas o fato é que os consumidores, que são a base da economia, sempre irão buscar benefícios para si próprios. Se os lojistas de Tupã não conseguem oferecer estes benefícios eles vão buscar em outro lugar. Este é o princípio do livre mercado, simples assim.

Se as suas vendas estão fracas ou se o seu negócio não está prosperando como você esperava, não culpe a crise ou os seus concorrentes. Olhe para o seu negócio e a sua equipe, identifique novas oportunidades e faça ajustes. O mercado é altamente dinâmico, não há garantias de que amanhã você continuará lucrando da mesma forma como faz hoje. E se você não acompanhar, você ficará para trás.